Advocacia nos tempos de pandemia

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por Adriana Breanza.

A tecnologia jurídica já era aplicada antes da pandemia, a maioria dos tribunais já atua de forma digital há muitos anos.

Em entrevista ao jornal Financial Times, o advogado Danny Ong, do escritório singapurense Rajah & Tann, disse: “Quando o Covid-19 aconteceu, nós tivemos que adaptar muito pouco, pois já tínhamos toda a tecnologia e as ferramentas no lugar”.

Nos Estados Unidos, em 2012, a American Bar Association (órgão de classe dos advogados) aprovou uma mudança no documento oficial sobre regras de conduta profissional, passando a prever para os advogados o dever de ter competência em tecnologia, tanto quanto o conhecimento da legislação.

O domínio da tecnologia é uma das competências básicas para o advogado contemporâneo.

Rotinas administrativas, atividades repetitivas e burocráticas, poderão ser realizadas por softwares e robôs que otimizam a rotina e o tempo do advogado.

O primeiro grande impacto: “O seu escritório será na sua casa”, o que para um advogado significa ultrapassar tradições e conservadorismo que ainda estão muito enraizados pela sociedade.

Os meios físicos como escritórios lindíssimos, cuidado com a aparência formal, olho no olho e aperto de mão estão ficando no passado. Em um mundo onde praticamente tudo pode ser realizado à distância, resta aos escritórios de advocacia entenderem que essa mudança não tem mais volta. A fiscalização pessoal sobre a conduta será substituída pela cobrança de resultado.

O desafio dos advogados será manter o aspecto humano. Através de videoconferências é possível ter a sensação de presença, a sensação de que não está só. O trabalho em equipe também está se transformando. Reuniões mais assertivas e otimizadas estão entre o foco dos gestores, que também tem o grande desafio de gerir as equipes à distância, de forma a manter todos motivados e trazendo resultados para os escritórios.

A tecnologia já estava disponível, e mesmo com todas as ferramentas, só agora nos demos conta que é possível trabalhar sem precisar alugar os caríssimos espaços físicos e sem perder horas do dia em deslocamentos. 

Acredito piamente que a pandemia apenas antecipou o inevitável: O nosso mundo agora é online.